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Geopolítica1 MIN

Os Limites da Ciência na Previsão de Terremotos Destrutivos

Eventos na Venezuela expõem desafios científicos e geopolíticos da previsão sísmica

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Ron Globe
Mesa Internacional
26 de jun de 2026 · 05:01
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A Venezuela foi atingida por dois terremotos de magnitude 7,5 e 7,2 na última quarta-feira (24), os mais fortes no país desde 1900, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Apesar do alto potencial destrutivo desses eventos, a ciência ainda não desenvolveu métodos confiáveis para prever terremotos. O USGS afirma que apenas é possível calcular probabilidades de ocorrência em determinadas áreas dentro de certos períodos de tempo, mas não prever com exatidão quando, onde e com qual magnitude um terremoto ocorrerá. Entre 1998 e 2017, terremotos causaram 750 mil mortes globalmente, mais da metade do total de vidas perdidas em desastres naturais. Várias teorias sobre possíveis precursores de terremotos – como pequenos abalos em série, aumento de radônio ou comportamento animal anômalo – carecem de comprovação científica. Pesquisas recentes exploram o uso de inteligência artificial para identificar padrões em grandes bases de dados sísmicos, mas os desafios técnicos permanecem significativos.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A incapacidade de prever terremotos revela um paradoxo geopolítico: países com maior risco sísmico, como os localizados no Círculo de Fogo do Pacífico, investem pesadamente em resiliência estrutural, enquanto nações com eventos mais raros, como a Venezuela, permanecem vulneráveis. O foco do USGS em probabilidades, em vez de previsões exatas, serve a um propósito estratégico – evitar pânico público e responsabilização por falsos alarmes. A ênfase atual em soluções de IA para previsão sísmica reflete uma convergência de interesses: a comunidade científica busca legitimidade, empresas de tecnologia buscam novos mercados para algoritmos, e governos precisam mostrar ação diante da opinião pública. No entanto, a natureza fractal dos fenômenos sísmicos desafia os modelos preditivos atuais, mantendo a vantagem comparativa de países que já investiram em infraestrutura anti-sísmica, como Japão e Chile, sobre aqueles que dependem de previsão impossível.

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