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Peru decide entre Fujimori e Sánchez em eleição crucial após década de instabilidade

Completa polarização e voto indeciso definem o pleito deste domingo no país sul-americano

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Ron Globe
Mesa Internacional
07 de jun de 2026 · 07:02
/ NOTÍCIA FONTE

O Peru se prepara para eleger seu nono presidente em uma década neste domingo (7/6), em um clima de incerteza política. Após um primeiro turno conturbado e uma contagem de votos que se prolongou por um mês, o país volta às urnas para decidir entre a direitista Keiko Fujimori, do partido Fuerza Popular, e o esquerdista Roberto Sánchez, do Juntos por el Perú. Keiko, filha do polêmico ex-presidente Alberto Fujimori, busca a Presidência pela quarta vez, após não reconhecer os resultados das duas últimas eleições em que foi derrotada. Já Sánchez, ex-ministro do Comércio Exterior e Turismo no governo de Pedro Castillo, disputa pela primeira vez o cargo, posicionando-se como herdeiro político de Castillo, preso em 2022 após tentar dissolver o Congresso. O cientista político Alonso Cárdenas, da Universidade Antonio Ruiz de Montoya, afirma que o não reconhecimento dos resultados eleitorais por Keiko foi um dos catalisadores da instabilidade política no Peru, que enfrentou oito presidentes em dez anos. Outro fator decisivo será o voto indeciso, que representa cerca de 25% do eleitorado, segundo pesquisa do IEP.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A eleição peruana reflete um jogo de poder mais profundo: o fujimorismo versus a coalizão anti-fujimorista. Keiko Fujimori representa não apenas uma ideologia política, mas uma marca familiar que polariza desde os anos 90, quando seu pai governou. Seu persistente não reconhecimento de derrotas eleitorais tem sido estratégico, alimentando a narrativa de fraude e mantendo sua base mobilizada em torno do mito da 'salvação fujimorista'. Já Roberto Sánchez emerge como o herdeiro simbólico de Castillo, mas sua candidatura também é uma resposta à fragmentação da esquerda peruana, que busca consolidar um polo alternativo ao fujimorismo. O timing desta eleição não é casual: após anos de instabilidade política e econômica, o Peru está em um ponto de saturação, e o voto indeciso pode ser o fiel da balança. A decisão desses eleitores será menos sobre ideologia e mais sobre a percepção de quem oferece estabilidade após uma década caótica. A questão central não é quem vence, mas se o próximo governo conseguirá governar em um país onde a institucionalidade está em frangalhos.

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