Peru: Keiko Fujimori conquista vantagem suficiente sobre Sánchez para ser presidente
Candidata conservadora abre 43 mil votos de diferença no segundo turno; rival de esquerda questiona resultado.
Keiko Fujimori, candidata conservadora à presidência do Peru, conquistou vantagem suficiente sobre o rival de esquerda Roberto Sánchez para ser declarada presidente eleita. Com 99,859% dos votos apurados, Fujimori soma 50,118% dos votos válidos, contra 49,882% de Sánchez, uma diferença de 43.386 votos que torna matematicamente impossível a reversão do quadro. Os dados foram divulgados pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) na noite de terça-feira, 23. Sánchez já anunciou que não reconhecerá a vitória de Fujimori caso seu pedido de anulação dos votos no exterior não seja acolhido. O segundo turno ocorreu no dia 7 de junho.
O frame oficial celebra a democracia peruana, mas omite que o resultado consolida o retorno do fujimorismo ao poder após anos de perseguição judicial. Keiko, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, condenado por corrupção e crimes contra os direitos humanos, sobreviveu a duas prisões e múltiplas investigações. O timing é crucial: seu partido controlará a presidência quando o Congresso discutir reformas judiciais que podem beneficiar seu pai. A resistência de Sánchez revela a espiral do silêncio: muitos peruanos temem o retorno de práticas autoritárias, mas evitam confronto aberto. Os votos no exterior, questionados pela esquerda, tradicionalmente favorecem candidatos conservadores - a omissão dessa tendência histórica no discurso oficial não é acidental.