Podemos resiste à vice de Flávio Bolsonaro enquanto avalia custo eleitoral
Aliança com o PL pode comprometer expansão legislativa do partido, que prefere neutralidade estratégica
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A presidente nacional do Podemos, deputada federal Renata Abreu (SP), está realizando consultas aos diretórios estaduais do partido sobre a possibilidade de ser vice na chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL). A sugestão partiu do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB). Até esta segunda-feira (3), a maioria dos estados mantém a posição favorável à neutralidade do partido nas eleições. Duas razões justificam a resistência: a imagem de centro independente que o Podemos busca manter, distante dos extremos, e a avaliação pragmática de que a neutralidade facilita a formação de chapas para deputados estaduais e federais, ampliando a bancada. A decisão final deve ser comunicada a Flávio Bolsonaro até quarta-feira (5).
A resistência do Podemos esconde cálculo eleitoral duplo. Renata Abreu enfrenta o dilema de aliar-se a Flávio Bolsonaro sem comprometer o projeto de expansão legislativa do partido. O timing é revelador: a menos de dois meses do prazo para registro de candidaturas, o MDB tenta costurar a aliança que isolou em 2022. Ricardo Nunes, em campanha aberta para 2028, posiciona-se como mediador entre bolsonaristas e centrãos. O PL precisa do Podemos para driblar a cláusula de barreira, mas a legenda sabe que carregar o sobrenome Bolsonaro em 2026 pode custar mais do que os 5% necessários. A neutralidade declarada é fachada: o partido quer liberdade para negociar cadeiras sem amarrar-se a um projeto de poder desgastado.