Polícia Civil investiga fraude em licitação de transporte escolar em Santa Helena
Operação cumpre 27 mandados e revela esquema com empresas 'laranjas' e superfaturamento.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
A Polícia Civil do Paraná realizou nesta terça-feira (18) uma operação para investigar fraudes em licitações do transporte escolar de Santa Helena, no Oeste do estado. Foram cumpridos 27 mandados de busca e apreensão em empresas e residências ligadas ao esquema. A investigação começou após denúncias de irregularidades em contratos de transporte escolar municipal e intermunicipal. Segundo o delegado Rogerson Luiz Ribas Salgado, da Divisão Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR), empresas contratadas estavam em nome de 'laranjas', e houve manipulação de preços e superfaturamento. Um agente público, não identificado, seria o verdadeiro dono de uma das empresas investigadas. A operação também revelou que Santa Helena permitiu o uso de veículos com até 20 anos de uso no transporte escolar, diferentemente do padrão regional de até 10 anos. Os preços pagos eram superiores aos praticados em cidades vizinhas. O material apreendido, incluindo celulares, computadores e documentos, será analisado para identificar outros envolvidos.
A operação em Santa Helena ocorre em um contexto de crescente fiscalização sobre licitações públicas na região Oeste do Paraná, especialmente após a Operação Conluio 1, que investigou fraudes em contratos de serviços de cursos. Santa Helena, município com cerca de 25 mil habitantes, enfrenta desafios logísticos devido à dispersão de sua população rural, o que aumenta a dependência do transporte escolar. A licitação 23-24 de 2024, alvo da investigação, estava vinculada a essa necessidade, mas o esquema descoberto sugere uma rede de corrupção que envolve agentes públicos e empresas 'laranjas'. A flexibilização nas normas de uso de veículos, permitindo carros com até 20 anos de uso, contrasta com os padrões de municípios vizinhos, como Toledo e Marechal Cândido Rondon, onde o limite é de 10 anos. Essa discrepância pode indicar uma tentativa de reduzir custos para empresas favorecidas pelo esquema. A operação reforça a importância da DECCOR no combate à corrupção em municípios menores, onde esquemas desse tipo podem passar despercebidos por mais tempo.