Profissionais liberais lideram pagamento de IR sobre dividendos em 2026
Estudo revela discrepância entre setores e expõe falhas na tributação de grandes empresas.
Advogados, sócios de bancos, médicos e contadores de alta renda foram os que mais pagaram Imposto de Renda sobre dividendos no Brasil entre janeiro e julho de 2026, segundo estudo da Finance Consultoria elaborado com base em dados da Receita Federal obtidos via Lei de Acesso à Informação. O setor financeiro liderou o recolhimento, com R$ 566,3 milhões, seguido por atividades jurídicas, contábeis e de auditoria, que somaram R$ 426,5 milhões. Já o segmento de saúde humana, que inclui clínicas médicas, recolheu R$ 235,3 milhões. Em contraste, setores como refino de petróleo e indústria extrativa mineral, que incluem grandes companhias como Petrobras e Vale, responderam por apenas 1,4% da arrecadação. A retenção do tributo ocorre sobre dividendos acima de R$ 50 mil mensais pagos a sócios residentes no Brasil, com alíquota de 10%. O governo inicialmente estimou arrecadar R$ 29,9 bilhões com o novo imposto em 2026, mas revisou a previsão para R$ 10,5 bilhões após resultados abaixo do esperado. O estudo sugere que mudanças na estrutura societária e na distribuição de lucros podem explicar a discrepância.
Os dados revelam uma assimetria fiscal que beneficia grandes corporações enquanto pressiona profissionais liberais e pequenos empresários. Setores como petróleo e mineração, que historicamente pagam altos valores de IRPJ e CSLL, praticamente escapam da tributação de dividendos, sugerindo estratégias de planejamento tributário sofisticadas. A hipótese de que grandes empresas direcionam dividendos para holdings, evitando a tributação de pessoas físicas, ganha força. Isso expõe uma falha estrutural na legislação: enquanto profissionais como advogados e médicos, que operam via empresas individuais, são obrigados a recolher o imposto, conglomerados conseguem minimizar a carga tributária sobre seus acionistas. O timing da revisão da previsão de arrecadação pelo governo, em setembro de 2026, coincide com pressões fiscais crescentes e um cenário econômico desafiador, o que pode ter acelerado a necessidade de ajustes nas estimativas. A concentração da arrecadação em poucas atividades levanta questões sobre a eficácia da política tributária e seu impacto desigual sobre diferentes setores da economia.