Projeto propõe usar R$ 1 bi do TCU para digitalizar bombas de combustível
Deputado defende medida para monitorar qualidade e volume em tempo real, mas omite custos de longo prazo
O deputado Júlio Lopes (PP-RJ) apresentou projeto que prevê o uso de R$ 1 bilhão de um acordo firmado no Tribunal de Contas da União (TCU) para digitalizar as bombas de combustível em postos de todo o país. A proposta visa permitir que a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) monitore em tempo real a qualidade e o volume dos combustíveis vendidos. Segundo Lopes, a medida ajudaria a coibir fraudes e garantir maior transparência no setor. O recurso viria de um acordo feito entre o TCU e empresas do setor de combustíveis, que teriam sido autuadas por irregularidades. A proposta ainda precisa ser apreciada pelas comissões da Câmara antes de seguir para votação em plenário.
O projeto de Júlio Lopes (PP-RJ) esconde mais do que revela. O timing não é casual: estamos a menos de dois anos das eleições municipais, e o deputado, ligado a grupos empresariais do setor de combustíveis, busca capital político com uma proposta que parece técnica. O uso de recursos de acordos no TCU abre precedente perigoso: ao invés de aplicar multas em projetos de interesse público, o dinheiro seria direcionado para uma iniciativa que beneficia diretamente as empresas autuadas. A ANP ganha poder de fiscalização, mas quem paga a conta é o consumidor, que já enfrenta preços altos nos postos. O projeto silencia sobre os custos de manutenção da nova tecnologia e sobre quem arcará com eles no longo prazo. Uma jogada que parece transparência, mas cheira a lobby.