Refit: o esquema bilionário que cooptou o poder público
Operação Sem Refino expõe sonegação e conexões políticas da empresa.
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
A Polícia Federal deflagrou a operação Sem Refino na última sexta-feira (15), revelando um esquema de sonegação de impostos liderado pelo empresário Ricardo Magro, dono da Refit. A dívida ativa da empresa com a União e estados ultrapassa R$ 50 bilhões, com destaque para o Rio de Janeiro e São Paulo como principais vítimas. O esquema ganhou força durante a gestão do ex-governador do Rio, Cláudio Castro (PL), que assumiu o Palácio Guanabara em 2020. As investigações apontam que a Refit operava com conexões profundas na máquina estadual, incluindo a Procuradoria-Geral, a Fazenda, o Judiciário e a Alerj. O caso também se estende ao Amapá, onde a PF investiga benefícios tributários e suspeitas de propina envolvendo nomes do Centrão. O episódio do podcast O Assunto, apresentado por Natuza Nery, traz uma análise detalhada da jornalista Maria Cristina Fernandes sobre o esquema e seu impacto político.
A operação Sem Refino expõe um esquema que prosperou não apenas pela sonegação em si, mas pela capacidade de Ricardo Magro em cooptar estruturas estatais inteiras. O timing da investigação coincide com um momento de fragilidade política de Cláudio Castro, que enfrenta pressões internas no PL e disputas eleitorais futuras. A conexão com o Amapá sugere uma estratégia de expansão do esquema para estados menores, onde o controle político e fiscal é menos rigoroso. O Centrão, citado nas investigações, tem interesse em manter a estabilidade de seus membros, o que pode influenciar a condução do caso. A dívida de R$ 50 bilhões, embora astronômica, é apenas a ponta do iceberg: o verdadeiro custo é a erosão da confiança nas instituições públicas, já fragilizadas por escândalos anteriores. O caso Refit não é apenas uma fraude fiscal, mas um sintoma de como o poder político e econômico pode ser instrumentalizado para beneficiar poucos em detrimento de muitos.