Revolução Cultural: Mao e a reconstrução do poder na China
Há 60 anos, Mao Tsé Tung lançou movimento que redefiniu a política e a sociedade chinesa.
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A Revolução Cultural na China, iniciada há 60 anos, foi um dos períodos mais turbulentos da história do país. Lançada por Mao Tsé Tung em 1966, a campanha visava eliminar elementos considerados contrarrevolucionários, capitalistas e burgueses da sociedade chinesa. Mao incentivou jovens e cidadãos comuns a se rebelarem contra autoridades, professores e líderes partidários, afirmando que a rebelião era justificada. O movimento, que durou oficialmente até 1976, deixou cicatrizes profundas na política e na cultura chinesa, ainda perceptíveis hoje. A Revolução Cultural foi precedida pelo fracasso do Grande Salto Adiante, programa de Mao para industrializar rapidamente a economia agrária da China, que resultou em uma das maiores fomes da história, com estimativas de 20 a 40 milhões de mortes. Após esse desastre, Mao recuou temporariamente, permitindo que outros líderes, como Liu Shaoqi e Deng Xiaoping, liderassem a recuperação econômica. No entanto, Mao nunca abandonou suas ambições revolucionárias, culminando na Revolução Cultural.
A Revolução Cultural foi menos uma reforma ideológica e mais uma manobra de Mao para reconquistar o poder perdido após o fracasso do Grande Salto Adiante. Em 1961, Mao havia sido marginalizado dentro do Partido Comunista Chinês, com figuras como Liu Shaoqi e Deng Xiaoping assumindo a liderança na recuperação econômica. A Revolução Cultural, lançada cinco anos depois, foi uma estratégia para eliminar rivais internos e consolidar o controle absoluto de Mao. Ao mobilizar jovens e cidadãos comuns contra autoridades e intelectuais, Mao criou um mecanismo de terror que desestabilizou qualquer oposição organizada. O movimento também serviu para reafirmar o maoismo como ideologia dominante, após o desgaste causado pelo Grande Salto Adiante. A Revolução Cultural não apenas destruiu instituições e elites existentes, mas também pavimentou o caminho para a ascensão de uma nova geração de líderes leais a Mao, incluindo Jiang Qing, sua esposa, e a Gangue dos Quatro. Apesar do caos, Mao garantiu sua sobrevivência política até sua morte em 1976, momento em que Deng Xiaoping iniciou uma revisão crítica do legado maoista.