Ribeiro Caram pivoteia para data centers em estratégia pós-boom logístico
Construtora realoca 60% de esforços para infraestrutura de IA e cloud, mirando gigantes como Amazon e Microsoft
A construtora Ribeiro Caram, tradicionalmente focada em galpões logísticos, está mudando seu eixo estratégico sob nova gestão. Diego Baez, recém-empossado CEO, anunciou que 60% dos esforços da empresa serão direcionados para a construção de data centers. A mudança reflete a aposta no mercado de infraestrutura para processamento de dados, que Baez projeta como o novo motor de crescimento da próxima década, comparável ao boom dos galpões logísticos nos últimos anos. A empresa busca certificações de governança e cibersegurança para atender clientes com altas exigências, como Microsoft e Amazon. O movimento ocorre em um cenário de baixa vacância (5,5%) no setor logístico, com escassez de mão de obra qualificada e terrenos em hubs estratégicos como Guarulhos (1% de vacância).
A guinada da Ribeiro Caram para data centers revela uma jogada de reposicionamento num mercado em transformação. A busca por certificações de governança sugere que a construtora mira contratos com hyperscalers (gigantes de cloud), onde os padrões são rígidos e a margem, atraente. O timing não é acidental: com o esgotamento do boom logístico (vacância mínima histórica) e a escassez de terrenos estratégicos, a empresa precisa de um novo motor de crescimento. A expansão para Ceará e Pernambuco indica que a corrida por data centers já pressiona locais menos óbvios, replicando o padrão visto nos galpões logísticos. A mudança também reflete a assimetria de poder: para competir com construtoras globais, a Ribeiro Caram precisa escalar rapidamente em expertise técnica — daí o foco em certificações e mão de obra fluente em inglês. O movimento antecipa uma disputa acirrada pelo próximo ciclo de infraestrutura digital no Brasil.