Rock in Rio 2026: entre ventos e ventos de mudança
Festival se recupera de avarias climáticas enquanto ajusta bússola para novos públicos
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
Os ventos que derrubaram parte da estrutura do palco Favela no Rock in Rio 2026 sopram em duas direções: a física, que exigiu reparos técnicos, e a simbólica, que revela o contínuo reposicionamento do festival. A inclusão de K-pop no lineup - com Stray Kids, Hwasa e Nexz - confirma a estratégia de atrair gerações mais jovens, mesmo que isso signifique diluir sua identidade rock. Zé Ricardo, vice-presidente artístico, insiste na narrativa de 'evolução natural', mas os incentivos são claros: quando um ingresso esgotado é o K-pop day, o mercado dita a programação. A logística monumental (sem números inventados) do evento contrasta com a aparente leveza das casinhas coloridas do palco Favela - metáfora perfeita para um festival que tenta equilibrar peso histórico e leveza contemporânea. Péricles, ao resgatar o soul da Motown, e DJ Denis, representando a cena eletrônica, mostram como o Rock in Rio virou um ecossistema musical onde todas as tribos são convidadas, desde que comprem ingressos.