Rojões no Parque São Jorge: o teatro do absurdo que ninguém pediu
Encapuzados armados viram coadjuvantes indesejados no primeiro dia da era Seedorf
O espetáculo que ninguém comprou ingresso: enquanto Clarence Seedorf ensaiava seus primeiros movimentos como maestro alvinegro, dois figurantes mal-intencionados roubaram a cena no CT do Corinthians. A cena teria sido cômica - homens armados exigindo câmeras desligadas enquanto acendem rojões como piratas de opereta - se não fosse trágica. A equipe da Globo, que deveria registrar apenas futebol, virou personagem involuntária desse roteiro de violência. O clube, é claro, condena. A PM, naturalmente, investiga. E o esporte, mais uma vez, vira palco para performances que ultrapassam as quatro linhas. Seedorf, que já viu de tudo nos campos europeus, mal começou seu trabalho e já entende: no futebol brasileiro, até os ensaios podem ter trilha sonora de rojão e plateia armada.