Senado dos EUA força agenda com aprovação antecipada de embaixador no Brasil
Nomeação de aliado Trumpista ocorre sem consulta prévia e em meio a tensões tarifárias
O Senado dos EUA aprovou nesta sexta-feira (7) a indicação do deputado da Flórida Daniel Perez como embaixador no Brasil, em votação conjunta que incluiu 73 outras nomeações de Donald Trump. A sessão ocorreu às pressas antes do recesso legislativo de cinco semanas, com aprovação apertada (51 a 47). Perez, de 39 anos e alinhado ao movimento MAGA, aguarda agora o aval do governo brasileiro, conforme exige a Convenção de Viena.
A indicação ocorre em meio a tensões diplomáticas crescentes. Os EUA revogaram o visto da embaixadora brasileira em Washington, Maria Luiza Viotti, após quase 70 dias de espera pela resposta brasileira. O Itamaraty não foi consultado previamente sobre a nomeação, quebrando protocolos diplomáticos.
Fontes ligadas à Casa Branca sugerem que a indicação de Perez tem motivações políticas internas, com participação da chefe de gabinete Susie Wiles e do secretário de Estado Marco Rubio. O timing coincide com o ciclo eleitoral brasileiro de 2026, onde o bolsonarismo - aliado natural da agenda trumpista - busca a Presidência.
A aprovação de Perez antes do aval brasileiro não é mera formalidade: é teste de pressão. A rapidez do processo legislativo norte-americano contrasta com o atraso brasileiro, criando um fato consumado que força o Itamaraty a reagir. O timing é duplamente estratégico: pressiona o governo Lula no pré-eleitoral e sinaliza apoio tácito à oposição bolsonarista.
Os atores ocultos aqui são os governadores republicanos da Flórida. Perez foi instrumento na queda de DeSantis, e sua nomeação paga dívidas internas do MAGA enquanto projeta o combate ao 'terrorismo de esquerda' - rótulo conveniente para deslegitimar adversários regionais. Rubio, como secretário de Estado, opera a conexão entre política doméstica e estratégia hemisférica.
A revogação do visto da embaixadora Viotti não é retaliação isolada: é peça numa negociação assimétrica. Os EUA podem custear um impasse diplomático até 2026; o Brasil, não. O cálculo de Trump é que a pressão agora colherá dividendos pós-eleições, seja qual for o resultado.