STF autoriza três inquéritos contra Lulinha em menos de uma semana
Investigação abrange suspeitas de tráfico de influência e corrupção no INSS e Dataprev.
O Supremo Tribunal Federal (STF) autorizou nesta terça-feira (4/8) a abertura de três inquéritos para investigar Fábio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Os pedidos partem da Polícia Federal e foram acolhidos pelos ministros Flávio Dino e André Mendonça. O primeiro inquérito, autorizado por Mendonça em 30 de julho, apura tráfico de influência e corrupção em negócios envolvendo o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como 'careca do INSS', com o Ministério da Saúde e o gabinete presidencial. O segundo, de 31 de julho, investiga suspeitas de tráfico de influência em contratos da Dataprev, empresa pública que gere dados do INSS. O terceiro inquérito, autorizado por Dino em 4/8, abrange um grupo de pessoas com negócios supostamente ilícitos em áreas do governo federal, incluindo Lulinha, e vazamentos ilegais de dados sigilosos. A defesa de Lulinha não se pronunciou. O presidente Lula afirmou que seu filho responderá 'como filho de qualquer pessoa' e que 'não vai ficar escondido', ressaltando que se for culpado, 'vai pagar o que todo mundo tem que pagar quando erra'. A situação coloca Lulinha como um ponto sensível na imagem do presidente.
O timing dos três inquéritos contra Lulinha em menos de uma semana não é aleatório. O STF, com ministros nomeados por diferentes governos, sinaliza equilíbrio ao distribuir as autorizações entre Dino (indicado por Lula) e Mendonça (indicado por Bolsonaro). A PF, por sua vez, demonstra ativismo em um período de fragilidade política do governo, com a reforma tributária emperrada e as investigações sobre o 8 de Janeiro ainda em curso. Os alvos escolhidos – INSS e Dataprev – são áreas sensíveis, onde escândalos anteriores como os da Lava Jato encontraram terreno fértil. O ministro Dino, possivelmente candidato em 2026, garante visibilidade ao atuar em casos de alto impacto. Enquanto isso, Lula tenta separar a imagem pessoal de seu filho, repetindo o discurso de que 'não interferirá', mas sabe que cada nova investigação fragiliza sua base aliada. O silêncio da defesa de Lulinha é estratégico: qualquer fala pode ser usada contra ele futuramente. O real jogo aqui é menos sobre justiça e mais sobre quem controla o timing político das investigações.