Títulos isentos pressionam Tesouro e reacendem debate fiscal
Expansão de CRIs, CRAs, LCIs e LCAs força aumento de juros em dívida pública
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A expansão acelerada do mercado de títulos isentos de Imposto de Renda, como CRIs, CRAs, LCIs e LCAs, tem gerado debates sobre sua concorrência com os títulos do Tesouro Nacional. De 2020 a 2025, a emissão desses títulos incentivados mais que triplicou, alcançando R$ 896,5 bilhões, enquanto a oferta de títulos do Tesouro cresceu 37%, para R$ 1,7 trilhão. Essa disparidade tem pressionado as taxas de juros pagas pelo governo, já que investidores exigem prêmios maiores para compensar a menor rentabilidade líquida dos títulos tributáveis. Em 2026, o Tesouro cancelou três leilões de títulos, dois deles para recomprar títulos e fornecer liquidez aos investidores, e outro devido à dificuldade de formação de preços. A isenção fiscal elevou a rentabilidade líquida dos títulos incentivados, forçando produtos tributados a oferecer juros brutos maiores para competir. Segundo a Warren, cerca de 0,78 ponto percentual dos juros pode ser atribuído à concorrência com títulos isentos.
A ascensão dos títulos isentos de IR é menos sobre eficiência de mercado e mais sobre uma guerra de incentivos. Em primeiro lugar, o Tesouro Nacional enfrenta uma armadilha fiscal: precisa emitir dívida cara para financiar o caixa público, mas é pressionado pelos investidores a oferecer juros brutos maiores para competir com produtos isentos. Essa dinâmica cria um círculo vicioso: quanto mais o Tesouro emite dívida cara, mais aumenta o custo fiscal, que por sua vez demanda mais emissões. Segundo, bancos e empresas do agronegócio e imobiliário têm interesse direto na manutenção das isenções, que garantem acesso a capital barato e liquidez abundante. Terceiro, o timing não é inocente: o debate sobre isenções reacende em meio a uma crise fiscal aguda, sugerindo que a narrativa pode estar sendo usada como cortina de fumaça para justificar medidas de ajuste mais duras. Por fim, a recompra de títulos pelo Tesouro em momentos de crise indica uma política de contenção de danos, mas também revela a fragilidade do mercado secundário — quando o governo precisa comprar sua própria dívida para evitar um colapso de preços.