Ultraconservadores iranianos pressionam negociadores em meio a possível acordo com EUA
Facção Paydari critica termos do acordo e insiste em controle rígido sobre Estreito de Hormuz e programa nuclear.
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A facção ultraconservadora Paydari, influente no Parlamento iraniano e nas emissoras estatais, criticou duramente os negociadores do país por um possível acordo com os Estados Unidos. Eles insistem que o Irã deve manter o controle sobre o Estreito de Hormuz e não fazer concessões sobre seu programa nuclear, descritos como 'linhas vermelhas'. Mahmoud Nabavian, parlamentar linha-dura, exigiu que Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento e líder das negociações, e Mohammad Bagher Zolghadr, alto funcionário de segurança, adotem termos maximalistas. Nabavian afirmou que a guerra transformou o Irã em uma 'superpotência' e que o estreito só deve ser reaberto se todas as sanções americanas forem suspensas, com garantias contra futuras medidas. Ele também delineou condições atribuídas ao líder supremo Mojtaba Khamenei, incluindo pedágios sobre a navegação e proibição de embarcações israelenses. As críticas ocorrem enquanto mediadores aguardam a resposta do Irã a uma proposta preliminar que estenderia o cessar-fogo por 60 dias e reabriria gradualmente o estreito. Mohsen Mansouri, outro ultraconservador, acusou os pragmáticos de lutar por um 'acordo já fracassado'.
As críticas da facção Paydari aos negociadores iranianos revelam uma disputa interna pelo controle da narrativa e da política externa do Irã. A insistência em termos maximalistas sobre o Estreito de Hormuz e o programa nuclear serve como ferramenta para pressionar Mojtaba Khamenei, o novo líder supremo, e garantir que sua liderança seja associada a uma postura inflexível. A facção Paydari, alinhada com setores militares e de segurança, busca consolidar seu poder interno ao posicionar-se como guardiã dos interesses nacionais. As condições delineadas por Nabavian, como pedágios sobre o estreito e proibição de embarcações israelenses, são mais simbólicas do que práticas, destinadas a fortalecer a posição doméstica dos ultraconservadores. O timing das críticas coincide com uma proposta preliminar de cessar-fogo, sugerindo que a facção Paydari visa influenciar as negociações antes que qualquer acordo seja formalizado. A referência ao assassinato de Ali Khamenei, pai do líder supremo, serve para mobilizar sentimentos anti-EUA e justificar uma postura dura. Assim, as críticas não são apenas sobre o acordo, mas sobre quem controla a política externa iraniana em um momento de transição interna.