União Europeia decide novo design do euro em votação pública
Cédulas terão figuras históricas ou natureza; escolha revela disputas simbólicas
O Banco Central Europeu (BCE) iniciou uma votação pública para definir o novo design das notas de euro, marcando a primeira mudança significativa no papel-moeda desde 2013. A consulta, que está aberta desde a última semana, apresenta dez opções de desenhos finalistas, resultantes de uma ampla pesquisa de opinião realizada em 21 dos 27 países da zona do euro. As propostas se dividem em duas categorias principais: figuras históricas que representam a cultura europeia e imagens da biodiversidade local.
Entre as personalidades destacadas estão a soprano Maria Callas (€5), o compositor Ludwig van Beethoven (€10), a cientista Marie Curie (€20), o escritor Miguel de Cervantes (€50), o polímata Leonardo da Vinci (€100) e a pacifista Bertha von Suttner (€200). Já as imagens de pássaros e natureza incluem referências às instituições europeias nos versos das cédulas. Três das dez opções apresentam formatos verticais, alinhados com tendências recentes de design. O resultado final será anunciado até o fim de 2026, com as novas notas circulando antes do 25º aniversário do euro em 2027.
A aparente democracia na escolha do novo design do euro esconde batalhas simbólicas e estratégicas. O BCE, ao restringir as opções a figuras históricas e natureza, evita temas politicamente sensíveis - como identidade nacional ou conflitos regionais. A inclusão de formatos verticais não é mera estética: é uma adaptação à era digital, onde a visualização em smartphones dita a geometria do dinheiro físico. A seleção de personalidades revela jogos de influência: Marie Curie (franco-polonesa) e Bertha von Suttner (austríaca) representam um equilíbrio geopolítico cuidadoso, enquanto figuras como Da Vinci e Cervantes são 'consensos seguros' que não ameaçam narrativas nacionais.
A ausência de figuras contemporâneas ou controvertidas mostra o verdadeiro objetivo: criar uma identidade europeia artificialmente harmoniosa. O timing é estratégico - em 2027, o euro completará 25 anos com uma crise de legitimidade, dividido entre norte e sul. As novas notas são uma tentativa de reforçar coesão através da iconografia, enquanto a versão digital do euro se prepara para reduzir a relevância do dinheiro físico.