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Geopolítica2 MIN

Argentina é o país mais alinhado aos EUA, diz enviado de Trump

Visita diplomática reforça apoio americano ao governo Milei e condiciona financiamento à manutenção da direita.

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Ron Globe
Mesa Internacional
24 de out de 2026 · 07:02
/ NOTÍCIA FONTE

O vice-secretário de Estado americano, Christopher Landau, declarou na quinta-feira (22) que a Argentina é atualmente o país mais alinhado aos Estados Unidos. A afirmação foi feita em Buenos Aires, última parada de uma viagem do funcionário de Donald Trump pela América do Sul. Landau destacou que não há outro país no mundo com o qual os EUA estejam tão alinhados quanto com o governo argentino, e elogiou o potencial da Argentina para se tornar uma 'superpotência econômica'.

Durante sua visita, Landau se reuniu com o chanceler argentino, Pablo Quirno, e com o presidente Javier Milei na Casa Rosada. Ele expressou gratidão pelo governo atual e afirmou esperar que o país continue no caminho de investimento e prosperidade. A declaração ocorre dois dias após o embaixador americano em Buenos Aires, Peter Lamelas, condicionar o apoio dos EUA à continuidade de um governo de direita na Argentina.

Lamelas afirmou que os EUA estão prontos para continuar financiando e apoiando a Argentina, desde que o país avance na direção 'correta' — ou seja, para a direita, e não para a esquerda. Essa abordagem faz parte de uma estratégia mais ampla de Trump na América Latina, região que tem experimentado uma onda de vitórias da direita e ultradireita nos últimos meses. O próprio Milei recebeu apoio de Trump durante as eleições legislativas argentinas de 2025, quando seu partido conquistou uma vitória surpreendente com ajuda de um pacote de resgate financeiro de US$ 20 bilhões oferecido pelos EUA.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A declaração de Christopher Landau sobre o alinhamento da Argentina aos EUA é menos um elogio e mais uma estratégia de cerco geopolítico. O timing da visita coincide com a aproximação das eleições argentinas de 2027 e o interesse dos EUA em garantir que Milei mantenha o poder. A condicionalidade do apoio americano, explicitada pelo embaixador Peter Lamelas, revela uma política de pressão: os recursos financeiros e políticos dos EUA estão atrelados à manutenção de um governo de direita.

Os incentivos convergem: para os EUA, a Argentina é um ponto de apoio crucial na América Latina, região onde Trump busca consolidar uma rede de aliados conservadores. Para Milei, o apoio americano é vital diante da fragilidade econômica interna e da necessidade de manter o controle político após as eleições legislativas de 2025. O pacote de US$ 20 bilhões oferecido na época foi menos um gesto de generosidade e mais uma jogada para evitar que a Argentina caísse em uma crise cambial que poderia desestabilizar o governo.

O alinhamento argentino aos EUA também serve como um contraponto às influências chinesa e russa na região. Ao reforçar os laços com Buenos Aires, Washington busca isolar governos de esquerda e garantir que a América Latina permaneça dentro de sua esfera de influência. A visita de Landau e as declarações de Lamelas são, portanto, parte de uma jogada maior: consolidar a Argentina como um baluarte conservador no Cone Sul.

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