EUA negociam transição na Venezuela com Delcy e sem Corina
MarÃa Corina Machado marginalizada enquanto Delcy RodrÃguez mantém papel central nas negociações.
A transição política na Venezuela segue um caminho complexo, com mudanças significativas nos atores envolvidos. MarÃa Corina Machado, principal liderança da oposição, está fora das negociações atuais, enquanto Delcy RodrÃguez, número dois do antigo regime, mantém-se como principal interlocutora de Washington. Machado, que está no Panamá, acusou o empresário Alejandro Betancourt de "corrupção obscena", em entrevista ao The New York Times. Betancourt, aliado da administração Trump, fechou um acordo que lhe dá controle sobre cerca de um quinto das reservas de petróleo da Venezuela.
Outra figura importante é Dinorah Figuera, ex-deputada que retornou do exílio e lidera a delegação opositora nas negociações com o chavismo, respaldada pelos EUA. Figuera preside a Assembleia Nacional de maioria opositora eleita em 2015. As negociações atuais discutem a retirada das inabilitações políticas, incluindo a de Machado, e mudanças nas regras eleitorais. Do outro lado da mesa está Jorge RodrÃguez, irmão de Delcy e presidente da Assembleia Nacional, que teve recentemente as sanções americanas removidas.
Enquanto isso, Nicolás Maduro e Cilia Flores enfrentam novas acusações na Justiça americana, incluindo conspiração para cometer tortura, e se declararam inocentes em tribunal de Manhattan.
A transição política na Venezuela revela uma estratégia cuidadosa dos EUA em manter Delcy RodrÃguez como interlocutora, enquanto marginaliza MarÃa Corina Machado, cuja crítica ao empresário Alejandro Betancourt pode indicar uma fratura na relação com Washington. A inclusão de Dinorah Figuera, apoiada pelos EUA, sugere uma busca por legitimidade institucional, evitando líderes mais radicais como Machado. As negociações sobre inabilitações políticas e mudanças eleitorais, conduzidas sem Machado, indicam uma preferência por uma transição gradual que evita rupturas abruptas.
A remoção das sanções contra Jorge RodrÃguez, irmão de Delcy, reforça a aposta dos EUA em figuras menos polêmicas do chavismo para garantir estabilidade. Enquanto isso, o isolamento de Maduro e Cilia Flores, com novas acusações na Justiça americana, sinaliza que Washington busca distanciar-se dos símbolos mais controversos do regime anterior. Essa estratégia sugere uma tentativa de equilibrar pressão interna por mudanças com a necessidade de evitar um vácuo de poder que poderia desestabilizar ainda mais a região.