Ataque israelense mata motoristas do Unicef em Gaza
Incidente suspende abastecimento de água e amplia crise humanitária na região
Dois motoristas contratados pelo Unicef foram mortos a tiros por soldados israelenses enquanto transportavam água potável no norte da Faixa de Gaza, informou a agência da ONU neste sábado (18). O incidente ocorreu no ponto de abastecimento de Mansoura, o único operacional na área, que utiliza a linha de água de Mekorot para abastecer a cidade de Gaza. Além das mortes, outras duas pessoas ficaram feridas durante a operação de rotina. O Unicef expressou indignação e pediu uma investigação imediata às autoridades israelenses, suspendendo todas as atividades no local. O Exército de Israel afirmou que seus soldados avistaram "dois terroristas armados" na área da Linha Amarela, fronteira entre territórios sob controle israelense e do Hamas, e que o caso está sob investigação. Desde o início da guerra em outubro de 2023, o Ministério da Saúde de Gaza já registrou mais de 72 mil mortes.
O ataque a funcionários do Unicef expõe a complexidade estratégica da guerra em Gaza. Israel precisa manter controle apertado sobre a Linha Amarela, zona crítica para prevenir infiltração do Hamas, mas operações militares em áreas civis geram custos diplomáticos altos. O Unicef, como agência neutra, torna-se alvo involuntário dessa dinâmica. A suspensão imediata das atividades no ponto de abastecimento de Mansoura pressiona Israel, já que corta o único fluxo de água potável para Gaza, amplificando a crise humanitária. O timing do incidente coincide com aumento de tensões após seis meses de cessar-fogo parcial. Para Israel, o cálculo é entre segurança imediata e dano reputacional internacional. Para o Hamas, cada tragédia humanitária reforça sua narrativa de resistência. A investigação prometida pelo Exército israelense tenderá a confirmar a versão de "terroristas armados", mas o dano político já está feito. O incidente sugere que, mesmo em operações supostamente controladas, a guerra em Gaza segue altamente imprevisível e custosa para todos os lados - incluindo agências internacionais que tentam mitigar o caos.