Brazil Journal afasta sócio após revelação de diálogos com Vorcaro
Flávio Carneiro deixou a sociedade após uso indevido do nome do veículo em conversas com ex-banqueiro do Master.
O Brazil Journal anunciou nesta quinta-feira (22) o afastamento de Flávio Carneiro da sociedade e das funções executivas. A decisão foi tomada após a revelação de diálogos entre Carneiro e Daniel Vorcaro, do Banco Master, que vieram a público nos últimos dias. Em editorial intitulado 'Um dia triste', o site afirmou que Carneiro havia usado indevidamente o nome da publicação em suas interações com Vorcaro, colocando em risco a credibilidade do veículo. Carneiro, que contribuiu para o crescimento comercial e estratégico do Brazil Journal ao longo dos últimos cinco anos, também era sócio de outras publicações, incluindo o PlatôBR e investidor das revistas IstoÉ e IstoÉ Dinheiro, controladas por Antônio Carlos Freixo Júnior, conhecido como Mineiro, apontado como operador financeiro de Vorcaro. Além disso, Carneiro intermediou contratos de publicidade do Master e sugeria novos negócios ao ex-banqueiro. As mensagens reveladas pela plataforma MasterWhats mostram que Vorcaro pedia a Carneiro para retirar ou modificar reportagens desfavoráveis ao Master. O fundador do Brazil Journal, Geraldo Samor, também teve suas conversas com Vorcaro expostas, mas não se manifestou sobre o caso.
O afastamento de Flávio Carneiro do Brazil Journal é mais um capítulo da rede de influência construída por Daniel Vorcaro, ex-banqueiro do Master. Carneiro não era apenas um sócio, mas um operador-chave no ecossistema midiático que orbitava em torno de Vorcaro, intermediando contratos e sugerindo pautas. A Foone, empresa de Carneiro, conectava publicações como PlatôBR e IstoÉ ao círculo de Vorcaro, indicando uma estratégia de controle indireto sobre narrativas. O timing da revelação das conversas, pouco antes de Carneiro ser afastado, sugere uma tentativa de salvaguardar a reputação do Brazil Journal, mas também expõe uma relação incestuosa entre jornalismo e poder financeiro. O editorial do veículo, ao afirmar sua independência, parece uma tentativa tardia de distanciamento, mas a proximidade entre Samor e Vorcaro, evidenciada pelas conversas, levanta dúvidas sobre a real autonomia editorial. A saída de Carneiro pode ser vista como um sacrifício necessário para proteger a imagem do grupo, mas também revela a fragilidade de um modelo onde os limites entre jornalismo e negócios são tênues.