Promessas de Lula e Flávio colidem com a realidade fiscal
Candidatos oferecem alívio ao endividado sem explicar quem pagará a conta dos trilhões
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A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
Em meio à disputa eleitoral acirrada entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), a questão do financiamento das promessas de campanha ganha destaque. A dívida pública brasileira alcança R$ 11,1 trilhões, equivalente a 82,9% do PIB, enquanto 90% dos R$ 2,8 trilhões do Orçamento de 2027 já estão comprometidos com gastos obrigatórios. Flávio propõe que o governo compre dívidas inadimplentes dos bancos e as renegocie pela Caixa, com juros menores e carência de seis meses para pessoas físicas. Lula, por sua vez, promete ampliar programas sociais sem detalhar fontes de receita. Economistas alertam que o espaço fiscal é limitado e as medidas podem pressionar ainda mais as contas públicas.
A disputa pelo eleitorado endividado revela a armadilha do populismo fiscal: ambos os candidatos sabem que 81,7% das famílias estão com dívidas, criando incentivos para promessas irresponsáveis. Flávio oferece um socorro financeiro via Caixa que, na prática, transfere o risco dos bancos para o contribuinte - os mesmos bancos que financiaram sua campanha. Lula repete o script de 2002, quando prometeu manter superávits primários que nunca se materializaram. O timing não é acidental: a eleição ocorre quando o teto de gastos já estrangulou o Orçamento, deixando pouco espaço para manobras. Os economistas ouvidos são apenas coadjuvantes - o verdadeiro debate ocorre entre o curto-prazo eleitoral e a sustentabilidade fiscal que ninguém quer assumir.