Cooperativas concentram 67% das exportações do agronegócio, diz OCB
Setor movimentou R$ 848 bilhões em 2025, mas atividade está dominada por grandes players.
As cooperativas brasileiras exportaram US$ 17,4 bilhões em 2025, representando 10,3% das exportações do agronegócio nacional, segundo dados da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB). O volume está altamente concentrado: apenas 10 cooperativas responderam por 67% desse total. Os principais produtos exportados foram café, carne de aves, soja triturada, carne suína e óleo de soja, com destaque para mercados como China, Japão, Estados Unidos, Alemanha e Países Baixos. O setor cooperativista movimentou R$ 848 bilhões em 2025, equivalente a 6,6% do PIB brasileiro, e empregou 613 mil pessoas, sendo 53% mulheres. A agropecuária lidera o segmento, com 57% da receita, seguida por cooperativas de crédito (23%) e saúde (15%). O Brasil conta com 29 milhões de cooperados, distribuídos em 4.400 cooperativas e 3.425 municípios.
Os números das cooperativas revelam uma estrutura paradoxal: enquanto o discurso oficial celebra a descentralização e o modelo cooperativista, a dinâmica real é de forte concentração de poder. Dez cooperativas dominam dois terços das exportações, sugerindo que o modelo acabou replicando a concentração do setor privado tradicional. A dependência de commodities como café e soja expõe o setor aos ciclos de volatilidade global. O apoio da ApexBrasil, agência governamental, indica uma estratégia de fomento às exportações que prioriza grandes players capazes de competir internacionalmente, em detrimento de cooperativas menores. O alto número de cooperados (29 milhões) contrasta com a baixa representatividade nas exportações (10,3%), o que sugere que o modelo beneficia mais os grandes produtores do que os pequenos agricultores. A presença feminina no emprego (53%) é um avanço, mas ainda reflete a segregação de gênero em cargos menos valorizados.