Dia do Orgulho LGBTQIA+ resgata história de resistência no oeste paranaense
De Pajubá às paradas regionais, movimento enfrenta desafios em cidades do interior
O Dia do Orgulho LGBTQIA+, celebrado em 28 de junho, rememora a Revolta de Stonewall em 1969, marco inicial da luta por direitos civis desta população. No Brasil, o movimento ganhou força nos anos 1980, com a criação do Grupo Somos em São Paulo, primeiro coletivo organizado. A década de 1990 trouxe avanços como a retirada da homossexualidade da lista de doenças pela OMS (1990) e a primeira Parada do Orgulho LGBT em São Paulo (1997). Nos anos 2000, conquistas incluem o direito à união estável (2011) e à mudança de nome no registro civil para pessoas trans (2018). O Pajubá, linguagem secreta criada por travestis e transexuais brasileiras nas décadas de 1970-80, serviu como código de resistência durante a ditadura militar.
A história LGBTQIA+ no oeste paranaense reflete tensões entre avanços nacionais e resistências locais. Cascavel sediou a primeira Parada da Diversidade da região em 2008, enfrentando protestos de grupos religiosos. Toledo criou em 2016 o Conselho Municipal de Direitos LGBT, pioneiro no interior, enquanto Foz do Iguaçu mantém tradição de eventos na fronteira trinacional. A linguagem Pajubá, pouco conhecida fora dos círculos ativistas, revela a criatividade marginalizada das travestis que trabalhavam nas rodovias BR-277 e BR-163 nos anos 1980. Hoje, as universidades regionais (Unioeste, UTFPR) abrigam núcleos de estudos de gênero, mas a violência persiste: o oeste paranaense registra média de 15 casos anuais de lgbtfobia, segundo o Ministério Público do Paraná.