Endividamento das famílias brasileiras bate recorde e chega a 82%
Inadimplência recua para 29,8%, mas cartão de crédito continua como principal responsável pelo endividamento.
O endividamento das famílias brasileiras atingiu 82% em julho, o maior patamar já registrado pelo sexto mês consecutivo, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Apesar do aumento do endividamento, a inadimplência recuou para 29,8%, com o tempo médio de atraso nas contas caindo para 64,6 dias. O cartão de crédito é o principal responsável pelo endividamento, afetando mais de 85% dos endividados. Famílias de baixa renda são as mais impactadas, com 84,9% dos lares que recebem até três salários mínimos endividados e 38,5% inadimplentes. A CNC projeta que o endividamento deve atingir 82,6% e a inadimplência 30,3% em setembro. A redução da taxa Selic, anunciada pelo Banco Central, é vista como um passo importante para melhorar as condições de crédito, mas sem efeitos imediatos.
O cenário de endividamento recorde das famílias brasileiras reflete um padrão nacional que também se manifesta no oeste do Paraná, região marcada por uma economia diversificada, com forte presença do agronegócio e do comércio fronteiriço. Em municípios como Cascavel e Toledo, onde o setor agrícola é vital, o endividamento pode estar associado ao ciclo de safras e ao financiamento de insumos. Apesar da redução da inadimplência, o comprometimento de 29,5% do orçamento familiar com dívidas sugere um impacto significativo no consumo local. A queda na taxa Selic, embora benéfica a longo prazo, ainda não alivia o custo do crédito para pequenos produtores e comerciantes da região. A CNC destaca que o endividamento, embora preocupante, pode ser um mecanismo para aquecer a economia, especialmente em áreas onde o acesso ao crédito é crucial para a manutenção das atividades produtivas.