Falta de ônibus no 2º turno expõe disputa eleitoral por mobilidade urbana
Prisões de gestores em Salvador e São Paulo revelam uso estratégico da infraestrutura como instrumento político
A oferta de ônibus no segundo turno das eleições presidenciais de 2026 se tornou alvo de disputas judiciais em São Paulo e Salvador. Na capital baiana, o TRE-BA determinou a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, e ordenou a liberação integral da frota. Em São Paulo, a campanha de Lula acionou a Justiça Eleitoral pedindo a prisão do secretário Celso Jorge Caldeira e do presidente da SPTrans, Victor Hugo Borges, após dados mostrarem apenas 71,7% da frota circulando, contra os 100% determinados judicialmente. As cidades somam cerca de 11 milhões de eleitores, com potencial impacto no comparecimento às urnas. A legislação eleitoral prevê transporte coletivo gratuito e frequência equivalente à dos dias úteis durante a votação.
Os episódios revelam um padrão de pressão sobre a infraestrutura urbana como arma eleitoral. Em Salvador, a prisão do secretário ocorre após denúncias de retenção deliberada de frota, sugerindo um cálculo político de desmobilização eleitoral. Já em São Paulo, a gestão Nunes opera no limiar do descumprimento judicial - 71,7% é número suficiente para evitar a multa imediata de R$ 100 mil, mas insuficiente para garantir plena mobilidade. O timing é crucial: as ações judiciais foram protocoladas no sábado, deixando mínimo espaço para cumprimento integral antes da votação. O histórico de ambos os municípios - um governado pelo MDB, outro com secretariado alinhado ao bloco oposicionista - sugere convergência de interesses na dificultação do transporte em áreas com forte base petista. A Justiça Eleitoral age como contrapeso, mas a assimetria de tempo entre decisão e eleição limita sua efetividade.