Flávio Bolsonaro busca consolidar apoio evangélico na Marcha para Jesus
Senador lidera pesquisas entre evangélicos, mas queda após caso Vorcaro expõe fragilidades
Flávio Bolsonaro, senador e pré-candidato à presidência pelo PL-RJ, participou da Marcha para Jesus em São Paulo, onde teve um desempenho considerado positivo, embora não excepcional. No trio elétrico Bordoada, ao lado do apóstolo Estevam Hernandes, Flávio falou sobre uma 'guerra espiritual' e pediu orações pelo Brasil e por seu pai, Jair Bolsonaro. Ele também levantou a bandeira de Israel, causa importante para os evangélicos, e cantou 'O Hino da Vitória', recebendo aplausos do público. Apesar de liderar as pesquisas entre eleitores evangélicos, Flávio viu sua taxa de intenção de votos cair de 49% para 42% após revelações sobre conversas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Líderes evangélicos afirmam que Flávio não possui o mesmo carisma de seu pai e está associado a escândalos de corrupção.
A participação de Flávio Bolsonaro na Marcha para Jesus revela uma estratégia bem calculada para consolidar seu eleitorado evangélico, base histórica de apoio da família Bolsonaro. O frame oficial é de devoção e liderança espiritual, mas o frame omitido é o do cálculo político puro. Flávio busca capitalizar a imagem de seu pai, ainda querida entre os evangélicos, enquanto tenta distanciar-se dos escândalos que o cercam. A queda nas pesquisas após o caso Vorcaro mostra que a estratégia ainda não é suficiente. Estevam Hernandes, organizador do evento, já sinalizou preferência por outros candidatos, como Tarcísio e Michelle, indicando que Flávio ainda precisa conquistar a confiança dos líderes religiosos. O timing é crucial: às vésperas das eleições, Flávio precisa evitar o 'efeito fariseu' — a percepção de que sua religiosidade é apenas uma jogada eleitoral.