Fundo Eleitoral de 2026 concentra 40% nos três maiores partidos
PL, PT e União Brasil lideram recebimento dos R$ 4,9 bilhões; distribuição reforça ciclo de hegemonia política.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) divulgou nesta quarta-feira (3) a distribuição dos R$ 4,9 bilhões do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para as eleições de 2026. Criado em 2017 como alternativa ao fim do financiamento empresarial de campanhas, o fundo será dividido com base no número de deputados federais e senadores eleitos por cada partido na última eleição. O Partido Liberal (PL) lidera o recebimento, com R$ 881,7 milhões, seguido pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com R$ 615,4 milhões, e o União Brasil, com R$ 526,2 milhões. Juntos, os três partidos concentram cerca de 40% do total. Os recursos serão distribuídos aos diretórios nacionais das siglas, que devem definir critérios internos de repasse aos candidatos, respeitando cotas de gênero e raça. O dinheiro só será liberado após homologação do TSE e deve ser usado exclusivamente no financiamento de campanhas. Em caso de sobras ou recusa do fundo, o valor retorna ao Tesouro Nacional.
O Fundo Eleitoral de 2026 consolida um modelo de financiamento público que privilegia as grandes siglas e perpetua a concentração de poder. PL, PT e União Brasil, os maiores beneficiários, recebem juntos quase metade dos R$ 4,9 bilhões, enquanto 14 partidos ficam com menos de R$ 4 milhões cada. A fórmula de distribuição, baseada na bancada atual, cria um ciclo vicioso: quem já tem mais deputados e senadores recebe mais dinheiro, o que facilita a reeleição e aumenta ainda mais a fatia no próximo ciclo. O timing da divulgação, dois anos antes das eleições, serve para organizar as alianças: partidos menores tendem a buscar coligações com os grandes para garantir acesso aos recursos. O fundo, criado para substituir o financiamento empresarial, acabou reproduzindo a mesma lógica de concentração, mas agora com dinheiro público. A exigência de cotas de gênero e raça na distribuição interna é uma cortina de fumaça para uma estrutura que perpetua a hegemonia das lideranças atuais.