Justiça colombiana permite uso da camisa da seleção em campanha de Espriella
Decisão ocorre às vésperas do segundo turno e durante a Copa do Mundo.
A Justiça colombiana reverteu nesta quinta-feira (11) uma decisão que proibia o candidato presidencial Abelardo de la Espriella de usar a camisa da seleção nacional em seus atos de campanha. A medida foi tomada pela juíza María Isabel Ferrer, que considerou falacioso o argumento de que o uso da camiseta compromete a neutralidade dos símbolos nacionais. A ordem inicial, emitida há uma semana, atendia a uma solicitação de um cidadão que alegava discriminação e estigmatização pelo uso da vestimenta por Espriella. O candidato, que disputa o segundo turno contra Iván Cepeda em 21 de junho, adotou a estratégia de usar a tricolor pouco antes do primeiro turno, e seus apoiadores seguiram o exemplo. Espriella ignorou a proibição mesmo quando ela estava em vigor, continuando a usar a camisa em comícios, entrevistas e redes sociais. A decisão judicial também não impediu que ele mantivesse símbolos patrióticos em sua campanha, como a bandeira e o escudo nacional, apesar de outra ordem determinando sua remoção. O candidato transformou as restrições em parte de sua mensagem antissistema, reforçando seu apelo nacionalista.
A reversão da proibição da camisa da seleção é menos uma questão jurídica e mais um cálculo político. O timing da decisão, às vésperas do segundo turno e durante a Copa do Mundo, sugere uma tentativa de evitar um desgaste maior da imagem institucional da Justiça. Espriella, que nunca disputou uma eleição antes, soube capitalizar a proibição inicial como um ataque à liberdade e à identidade nacional, transformando-a em combustível para sua campanha. A insistência em usar símbolos patrióticos, mesmo sob restrições, reforça sua narrativa de 'defensor da pátria' contra um sistema considerado opressor. A coalizão de Cepeda e Petro, por outro lado, parece ter subestimado o apelo emocional do nacionalismo em um momento de alta visibilidade internacional como a Copa. A insistência inicial em proibir a camisa pode ter sido um erro estratégico, já que amplificou a mensagem de Espriella e consolidou sua base eleitoral. A Justiça, ao recuar, tenta evitar ser vista como parcial, mas o efeito prático é mínimo, já que o candidato nunca deixou de usar a vestimenta. A disputa judicial se torna, assim, um palco para a polarização política.