Lula ataca Flávio Bolsonaro e associa tarifação dos EUA a traição
Presidente critica proposta norte-americana e acusa senador de prejudicar o país.
O presidente Lula criticou duramente a proposta do governo norte-americano de aumentar as tarifas sobre produtos brasileiros, associando a medida ao senador Flávio Bolsonaro (PL). Durante evento em Catalão (GO), Lula acusou Flávio de agir como um "traidor da pátria" e de buscar interferência estrangeira nas decisões brasileiras. O presidente destacou que a proposta de tarifação ocorre após Flávio se reunir com Marco Rúbio, secretário de Estado dos EUA. Lula também se referiu à família Bolsonaro como "família metralha" e chamou Flávio de "imbecil", afirmando que suas ações prejudicam o povo brasileiro, os empresários e o agronegócio. Flávio Bolsonaro negou ter solicitado a tarifação e afirmou ter pedido expressamente para que Trump não aplicasse novas tarifas sobre empresas brasileiras. A medida surge após uma investigação do USTR sobre práticas comerciais injustas do Brasil e deve ser discutida pelo setor privado antes de sua possível implementação em julho.
A escalada retórica de Lula contra Flávio Bolsonaro não é apenas um ataque político, mas uma estratégia eleitoral às vésperas das eleições de outubro. Ao associar Flávio ao "tarifaço" norte-americano, Lula busca consolidar a narrativa de que os Bolsonaro são inimigos do desenvolvimento nacional. O timing é crucial: a tarifação proposta pelos EUA ocorre em um momento em que Lula precisa fortalecer sua base eleitoral, especialmente no agronegócio, setor diretamente afetado pela medida. A referência à família Bolsonaro como "metralha" não é casual; visa desmobilizar a oposição ao criar uma imagem unificada de adversários nacionais. Flávio, por sua vez, tenta se distanciar da tarifação, mas sua reunião com Marco Rúbio serve como combustível para a narrativa de Lula. O cenário sugere uma guerra de narrativas onde, para além das tarifas, o que está em jogo é a definição de quem são os verdadeiros defensores dos interesses brasileiros.