Mangueira define samba-enredo sobre Iansã para 2027 com Daniela Mercury
Agremiação homenageará orixá dos ventos em enredo inédito com interpretação da cantora baiana
A Estação Primeira de Mangueira definiu na madrugada deste domingo (6/9) o samba-enredo para o Carnaval 2027, que terá interpretação da cantora Daniela Mercury. O hino acompanhará o enredo "Oyá Por Nós", anunciado em março, que homenageará a orixá Iansã (Oyá), divindade do Candomblé ligada aos ventos e transformações. Esta será a primeira vez que a escola carioca dedica um enredo inteiro a um orixá em seus 94 anos de história.
A composição vencedora é de autoria de Lequinho, Júnior Fionda, Gabriel Machado, Guilherme Sá, Rodrigo Bandolim e Orlando Ambrósio. Daniela Mercury dividirá a interpretação com Tinga e Grazzi Brasil. A cantora, que completa 60 anos em 2027, celebrou nas redes sociais: "Meu carnaval começou hoje", referindo-se à emoção de interpretar o samba da Mangueira.
Guanayra Firmino, presidente da agremiação, destacou o momento histórico: "Em mais de 50 anos de escola, nunca vi nossa quadra assim". A Mangueira, segunda maior vencedora do carnaval carioca com 20 títulos, já iniciou os preparativos para 2027, enquanto outras escolas do Grupo Especial como Portela e Mocidade também definiram seus sambas.
A escolha do samba-enredo pela Mangueira reflete um movimento mais amplo nas escolas de samba do Rio, que nos últimos anos vêm dando maior protagonismo a temas afro-brasileiros. Em 2023, a Mangueira já havia abordado a cultura negra com "Negro de Ébano", mas agora aprofunda a abordagem religiosa. O enredo sobre Iansã chega num momento de maior visibilidade das religiões de matriz africana, após anos de ataques a terreiros no país.
A presença de Daniela Mercury, baiana símbolo do axé music, como intérprete reforça a ponte entre o carnaval carioca e a cultura baiana. Não por acaso, a escola escolheu justamente uma divindade ligada aos ventos e transformações - tema que dialoga com o momento de renovação que a agremiação vive desde 2022, quando estreou sua nova quadra.
O processo de escolha do samba, tradicionalmente disputado entre compositores, ganha novo fôlego com a participação de artistas consagrados. A estratégia lembra a da Vila Isabel em 2023, que trouxe Martinho da Vila para interpretar seu samba. Para a Mangueira, que não vence desde 2016, a aposta em Mercury pode ser um trunfo para reconquistar o título.