Milei visita Israel e reforça aliança com Netanyahu em meio à guerra
Presidente argentino assina Acordos de Isaac e promete mudar embaixada para Jerusalém.
O presidente da Argentina, Javier Milei, visitou Israel neste fim de semana, em meio à trégua na guerra entre Israel, Estados Unidos e Irã. Esta é a terceira viagem de Milei ao país desde que assumiu o poder em dezembro de 2023. Durante o encontro com o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, Milei anunciou a criação da primeira rota aérea direta entre Buenos Aires e Tel Aviv, operada pela El Al Airlines a partir de novembro, e a assinatura dos Acordos de Isaac. O documento busca estender à América Latina o espírito dos Acordos de Abraão, firmados durante o governo Trump para fortalecer laços entre Israel e países árabes. Milei destacou que os novos acordos visam combater o terrorismo, o antissemitismo e o narcotráfico, além de fortalecer relações diplomáticas e comerciais. O presidente argentino também participou da pré-gravação da cerimônia de acendimento das 12 tochas no Monte Herzl, um evento simbólico que marca o início das comemorações pela fundação de Israel, completando 78 anos em 2026. Milei foi o primeiro presidente estrangeiro a participar da cerimônia, reforçando os gestos de aliança entre os dois países.
A visita de Milei a Israel ocorre em um momento estratégico para ambos os líderes. Para Netanyahu, o encontro reforça a imagem de Israel como um aliado global em meio à guerra com o Irã, enquanto busca ampliar sua influência na América Latina através dos Acordos de Isaac. Para Milei, a aproximação com Israel é uma jogada política interna e externa. Internamente, o presidente busca consolidar sua base de apoio entre setores conservadores e judeus argentinos, que representam uma parcela significativa da população. Externamente, Milei tenta posicionar a Argentina como uma ponte entre Israel e a América Latina, em um momento em que a região vive uma guinada à direita, com exceção do Brasil. A crítica velada de Milei a governos de esquerda latino-americanos, associados ao terrorismo e ao narcotráfico, é um recado claro ao governo Lula, com quem mantém relações tensas. A promessa de mudar a embaixada argentina para Jerusalém também pode ser interpretada como um gesto simbólico para angariar apoio interno e fortalecer a aliança com Israel, em detrimento de possíveis relações com países árabes.