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Nobel da Paz é libertada sob fiança e hospitalizada no Irã

Narges Mohammadi, ativista iraniana, recebe suspensão temporária de pena após infarto.

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Paul Spider
Mesa de Política
10 de mai de 2026 · 23:03
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A ativista iraniana e vencedora do Prêmio Nobel da Paz em 2023, Narges Mohammadi, foi libertada sob fiança e transferida para um hospital em Teerã após sofrer um infarto há duas semanas. Mohammadi, de 54 anos, estava presa desde dezembro de 2025 por sua atuação em defesa dos direitos das mulheres e pela campanha contra a pena de morte no Irã. A suspensão temporária de sua pena foi concedida 'em troca de uma fiança considerável', segundo comunicado divulgado pela fundação administrada por sua família. A ativista deixou a prisão de Zanyán após dez dias de internação e foi levada de ambulância para a capital iraniana para receber atendimento de sua própria equipe médica. A fundação afirmou que a suspensão da pena não resolve a situação de Mohammadi, que necessita de 'cuidados permanentes e especializados'. 'Devemos garantir que ela nunca retorne à prisão para cumprir os 18 anos restantes de sua sentença. Agora é o momento de exigir sua liberdade incondicional e o arquivamento de todas as acusações', disse o comunicado. O advogado de Mohammadi, Mostafa Nili, afirmou que a suspensão da pena foi autorizada após avaliação da Organização de Medicina Legal do Irã, que concluiu que a ativista precisa de tratamento especializado fora da prisão devido a 'múltiplas doenças'. O Comitê do Prêmio Nobel da Paz emitiu comunicado expressando alarme com o estado de saúde de Mohammadi.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A libertação temporária de Narges Mohammadi, embora apresentada como um gesto humanitário, revela uma estratégia política cuidadosamente calculada pelas autoridades iranianas. O regime clerical enfrenta pressão internacional crescente sobre seu histórico de direitos humanos, especialmente após a concessão do Nobel da Paz à ativista em 2023. A fiança 'considerável' exigida para sua libertação serve tanto como um freio financeiro para sua família quanto como uma mensagem tácita de que o regime ainda controla seu destino. A transferência para um hospital em Teerã, sob cuidados de sua própria equipe médica, permite ao governo reduzir o risco de uma morte sob custódia que poderia inflamar ainda mais a opinião pública global. No entanto, a insistência da fundação da ativista em exigir liberdade incondicional e o arquivamento das acusações sugere que a medida é vista como insuficiente e temporária. O timing da libertação coincide com um momento em que o Irã busca melhorar sua imagem internacional, especialmente após sanções econômicas e políticas que impactaram sua economia. A linguagem usada pela Organização de Medicina Legal, ao justificar a necessidade de tratamento especializado, evita mencionar as condições prisionais que deterioraram a saúde de Mohammadi — uma omissão estratégica que protege o regime de críticas diretas. Enquanto isso, o Comitê do Nobel da Paz mantém vigilância, pressionando discretamente por uma solução permanente.

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