Nova espécie de perereca é descoberta no Cerrado mineiro
Pesquisadores da UFMG identificam anfíbio em área de veredas sob pressão agrícola
Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) identificaram uma nova espécie de perereca no Cerrado mineiro. O anfíbio, batizado de Scinax tropicalia, foi encontrado na região de Paracatu, noroeste de Minas Gerais, durante expedição financiada pelo CNPq. Com coloração amarelo-esverdeada e padrões de manchas únicos, a espécie mede cerca de 3 cm e habita áreas de veredas preservadas. O estudo, publicado no Journal of Herpetology, contou com a participação de biólogos da UnB e do Instituto Chico Mendes. A descoberta ocorre em meio a alertas sobre o avanço do desmatamento no Cerrado, que já perdeu 48% de sua cobertura original, segundo o INPE.
A descoberta da Scinax tropicalia revela a pressão sobre o Cerrado mineiro, bioma que abriga 5% da biodiversidade mundial mas sofre com a expansão agrícola. Paracatu, município onde a espécie foi encontrada, está no coração do Matopiba, fronteira agrícola que responde por 11% da produção nacional de grãos. O timing da pesquisa coincide com a votação do PL 364/2019 na ALMG, que flexibiliza licenciamento ambiental em áreas de veredas. A UFMG, responsável pela identificação, mantém desde 2018 o Projeto Cerrado, parceria com a Embrapa para monitorar espécies endêmicas. Enquanto isso, o governo estadual prepara o Plano de Ação para Conservação de Anfíbios, previsto para 2024 com recursos de compensação ambiental de mineradoras atuantes na região.