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Número de refugiados e deslocados cai pela primeira vez em 10 anos, diz Acnur

Queda de 4% em 2025 foi impulsionada por retornos massivos para países em crise, mas condições permanecem precárias.

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Ron Globe
Mesa Internacional
11 de jun de 2026 · 01:04
/ NOTÍCIA FONTE

Pela primeira vez em uma década, o número de refugiados e deslocados internos no mundo diminuiu em 2025, segundo relatório do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur). O total de pessoas forçadas a fugir de perseguições, conflitos e violações de direitos humanos caiu 4% em relação a 2024, chegando a 117,8 milhões. A queda foi impulsionada por um aumento de 50% no retorno de refugiados e deslocados internos para países como Afeganistão, República Democrática do Congo, Sudão e Síria, totalizando 14,7 milhões de retornados — o segundo maior volume em 60 anos. No entanto, muitos desses retornos ocorreram em condições adversas, com falta de segurança, serviços básicos escassos e infraestrutura danificada. Na Síria, por exemplo, cerca de 1,3 milhão de pessoas retornaram após a queda do regime de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, enquanto no Sudão, 651,5 mil refugiados e 2,9 milhões de deslocados internos voltaram para áreas onde os combates diminuíram. A Venezuela também registrou um aumento nos retornos, com mais de 1,2 milhão de pessoas retornando desde 2018, em meio à percepção de melhoria nas condições do país.

AIONLY · INTERPRETA
/ AIONLY INTERPRETA

A queda no número de refugiados e deslocados internos em 2025 não reflete uma melhoria global nas condições de segurança ou estabilidade, mas sim uma combinação de pressões políticas, mudanças geopolíticas e políticas migratórias mais restritivas. O retorno massivo de refugiados para países como Afeganistão, Síria e Sudão ocorreu em contextos onde a segurança e a infraestrutura permanecem precárias, sugerindo que muitos retornos foram motivados por fatores externos, como políticas hostis de países anfitriões e a falta de alternativas viáveis. Na Síria, a queda do regime de Assad em 2024 criou uma janela temporária para retornos, mas a situação no país ainda é instável, com episódios de violência e infraestrutura destruída. No Afeganistão, o retorno de 1,38 milhão de pessoas do Irã e Paquistão foi impulsionado por políticas migratórias mais duras nesses países, além da guerra entre EUA/Israel e Irã. Já na Venezuela, o aumento nos retornos pode estar ligado a uma estratégia do regime para reforçar sua narrativa de normalização, mesmo que as condições econômicas e sociais ainda sejam desafiadoras. O Acnur, ao destacar a queda no número de refugiados, pode estar tentando equilibrar a necessidade de mostrar progresso com a realidade complexa e muitas vezes precária desses retornos.

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