Nunes Marques suspende pesquisa que mostra queda de Flávio Bolsonaro
Decisão monocrática do presidente do TSE atende pedido do PL e abre precedente sobre controle de narrativa eleitoral.
O ministro Kassio Nunes Marques, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou nesta segunda-feira (8) a suspensão de uma pesquisa eleitoral realizada pelo instituto Atlas Intel em maio. A pesquisa apontava queda no desempenho de Flávio Bolsonaro após a revelação de mensagens e áudios nos quais o pré-candidato a presidente pede dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme 'Dark Horse', sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A decisão foi tomada monocraticamente a pedido de Flávio Bolsonaro e do PL, partido ao qual ele está filiado. Segundo Nunes Marques, a inclusão de perguntas sobre o escândalo do Banco Master configura 'contaminação metodológica'. O instituto Atlas Intel rebate, afirmando que essas perguntas foram apresentadas após o questionário eleitoral e não interferiram nos resultados. Outros institutos também mostraram tendência de queda no desempenho de Flávio Bolsonaro. O plenário do TSE iniciou nesta terça-feira (9) uma votação para validar ou derrubar a liminar de Nunes Marques.
A decisão monocrática de Nunes Marques revela mais do que uma disputa metodológica sobre pesquisas eleitorais. O timing é crucial: estamos no início do ciclo eleitoral de 2026, e qualquer queda nas expectativas de Flávio Bolsonaro pode prejudicar sua capacidade de atrair apoios e recursos. A escolha de Nunes Marques como relator do caso não é casual. Indicado ao STF pelo próprio Jair Bolsonaro, ele está em uma posição privilegiada para influenciar o cenário eleitoral. A suspensão da pesquisa atende ao interesse imediato de Flávio, mas também reforça o controle do núcleo bolsonarista sobre o discurso público. O que não está sendo dito é que essa decisão pode criar um precedente perigoso: pesquisas futuras poderão ser suspensas sempre que prejudicarem interesses políticos específicos. A verdadeira questão não é metodológica, mas sim quem controla a narrativa eleitoral.