Operação policial armada em escola paulista segue protocolos, afirma governo
Ação mobilizou PMs com armamento de porte e gerou críticas de sindicato docente
O governo de São Paulo afirmou que a ação policial armada realizada em uma escola estadual na capital paulista seguiu os protocolos de segurança estabelecidos. A operação ocorreu após denúncias de suposto tráfico de drogas no local e mobilizou agentes da Polícia Militar com armamento de porte. A Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) declarou que todas as intervenções em unidades escolares são precedidas de avaliação de risco e coordenadas com a Secretaria da Educação. A pasta não informou quantos alunos foram revistados ou se houve apreensão de entorpecentes. O Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) emitiu nota criticando o método, classificando-o como 'intimidatório' e 'traumático' para a comunidade escolar.
A operação policial em ambiente escolar reacende o debate sobre segurança versus direitos educacionais no estado mais populoso do país. São Paulo mantém desde 2019 o Programa Escola Segura, que prevê rondas ostensivas e inteligência policial, mas sem diretrizes claras para operações armadas dentro de salas de aula. O episódio ocorre em meio à queda de 37% nos investimentos em segurança escolar entre 2020-2023, segundo dados da Assembleia Legislativa. Paralelamente, cresceu 62% o número de ocorrências policiais registradas em escolas estaduais no mesmo período. Especialistas apontam que a ausência de equipes multidisciplinares (assistentes sociais, psicólogos) nas unidades mais vulneráveis transforma a PM em primeiro - e muitas vezes único - recurso de mediação de conflitos. O caso expõe a tensão entre políticas de 'tolerância zero' e pedagogias restaurativas que vinham sendo testadas em algumas regiões.