Petróleo encerra julho com maior alta mensal desde março
Tensões no Oriente Médio e redução de estoques nos EUA pressionam preços globais.
O petróleo registrou a maior alta mensal desde março, com o barril Brent alcançando US$ 89,68 no fechamento de julho, uma alta de 22,93% no mês. O West Texas Intermediate (WTI) também subiu 20,34%, fechando a US$ 86,80. A escalada ocorreu após novas tensões no Oriente Médio, incluindo o retorno dos conflitos entre EUA e Irã e a entrada dos houthis do Iêmen na guerra, que aumentaram os riscos para o transporte marítimo no mar Vermelho. Além disso, os estoques de petróleo nos EUA continuaram a diminuir, pressionando os preços. O estreito de Hormuz, ponto crucial para o fluxo global de petróleo, permaneceu parcialmente bloqueado pelo Irã, enquanto o estreito de Bab el-Mandeb enfrentou ameaças dos houthis. Scott Shelton, especialista da TP ICAP Group, destacou que os EUA estão usando seus estoques de petróleo para equilibrar o mercado global, reduzindo rapidamente suas reservas.
A alta do petróleo em julho reflete uma estratégia geopolítica cuidadosamente orquestrada. Os EUA e a Arábia Saudita têm incentivos convergentes para apertar o gargalo do Hormuz, pressionando o Irã e seus aliados. A entrada dos houthis no conflito adicionou uma camada de risco ao transporte marítimo, especialmente no estreito de Bab el-Mandeb, rota crítica para exportações sauditas. O timing da escalada coincide com a redução dos estoques de petróleo nos EUA, que agora usam suas reservas para influenciar os preços globais. O mercado, inicialmente focado na guerra, passou a responder aos dados de transporte marítimo, indicando uma mudança na dinâmica de precificação. A convergência de interesses entre EUA e Arábia Saudita sugere que a alta do petróleo não é apenas um reflexo da oferta e demanda, mas também de uma estratégia geopolítica para enfraquecer o Irã e seus aliados.