Plano estadual inclui combate ao trabalho infantil digital no oeste
Documento alerta para exploração de crianças em redes sociais e canais de conteúdo
O Plano Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil no Paraná 2023-2026, lançado nesta quarta-feira (10) em Cascavel, inclui pela primeira vez ações específicas contra a exploração de crianças e adolescentes no ambiente digital. O documento, elaborado pelo Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (Fepeti-PR) em parceria com o Ministério Público do Trabalho (MPT), alerta para novas formas de violação como a monetização de conteúdos com participação infantil e o aliciamento para trabalhos irregulares via redes sociais. Segundo dados do Disque 100, o Paraná registrou 1.342 denúncias de trabalho infantil em 2022, sendo 18% relacionadas ao mundo digital. A procuradora do MPT no oeste do estado, Margaret Matos de Carvalho, destacou que a região tem casos emblemáticos de youtubers mirins explorados por familiares. O plano prevê capacitação de conselheiros tutelares e agentes de saúde para identificar esses casos.
A inclusão do trabalho infantil digital no plano estadual reflete uma preocupação crescente no oeste paranaense, onde a popularização de smartphones e a cultura de monetização de conteúdos criaram novas vulnerabilidades. Cidades como Cascavel, Toledo e Foz do Iguaçu, com altos índices de conectividade, concentram casos de crianças usadas em canais familiares de comércio eletrônico ou desafios perigosos nas redes. A escolha de Cascavel para o lançamento do plano não foi acidental: a cidade sedia o maior número de processos do MPT sobre exploração de imagem infantil na região. O timing coincide com o período pré-festas, quando aumentam as contratações irregulares de crianças para trabalhos temporários. A articulação com os Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) da AMOP será crucial, pois muitos municípios ainda tratam o tema como 'ajuda familiar' culturalmente aceitável.