Rio de Janeiro e Tammany Hall: a corrupção que atravessa séculos
Professor compara esquemas no Rio com a máfia de Nova York, mas omite quem lucra com a impunidade.
O artigo de Marcus André Melo, professor da Universidade Federal de Pernambuco, compara a corrupção política no Rio de Janeiro com o histórico caso da Tammany Hall em Nova York. Melo argumenta que o esquema corrupto no Rio atingiu níveis sem precedentes, envolvendo todos os Poderes do Estado, a Procuradoria e organizações privadas. Ele destaca que a corrupção no Rio se entrelaça com a criminalidade violenta, assim como ocorreu na Tammany Hall com a máfia de Lucky Luciano. O professor ressalta que todos os governadores eleitos no Rio nos últimos 30 anos foram presos ou destituídos, evidenciando a perda da guerra contra a corrupção. O caso do Banco Master é citado como exemplo da degradação institucional que alcançou o nível nacional, afetando até a Suprema Corte. Melo também menciona que a má reputação das instituições brasileiras dificulta a resposta eficaz ao problema.
A comparação entre a Tammany Hall e o Rio de Janeiro não é apenas histórica, mas estratégica. O frame escolhido por Melo — a corrupção como guerra perdida — evita discutir os beneficiários concretos dessa degradação institucional. Quem ganha com a perpetuação da corrupção? Certamente não é apenas a criminalidade violenta, mas também os grupos políticos e econômicos que se alimentam da ineficiência estatal. A omissão proposital é o rastreamento dos fluxos financeiros que sustentam esses esquemas. Enquanto o artigo foca na reputação internacional, ignora-se o ciclo eleitoral brasileiro: 2026 é ano de eleições municipais, e a corrupção endêmica no Rio serve de palanque para discursos moralistas que nunca se traduzem em ação efetiva. A opinião pública sabe que a impunidade é regra, mas nenhum partido quer assumir o ônus de enfrentar a máquina corrupta. A lavagem de dinheiro, citada como ponto comum entre a corrupção 'honesta' e 'desonesta', continua sem enfrentamento real — porque é o combustível do sistema.