Santa Catarina aprova pagamento por abate de javalis
Projeto de R$ 100 por animal abatido aguarda sanção enquanto especialistas questionam eficácia
A Assembleia Legislativa de Santa Catarina aprovou projeto que institui pagamento de R$ 100 por javali abatido, de autoria do deputado Camilo Martins (PL). A proposta, votada em 15 de julho de 2026, aguarda sanção do governador Jorginho Mello (PL). O texto prevê cadastro de controladores junto ao órgão ambiental, comprovação de abates regulares e autorização em propriedades privadas. O deputado justificou a medida pelos prejuízos econômicos a lavouras e riscos sanitários, classificando o pagamento como ressarcimento de custos operacionais. O PSOL, através do relator Marcos José de Abreu, emitiu parecer contrário por falta de diretrizes técnicas e mecanismos de avaliação de resultados, ainda que concordando com a necessidade de controle populacional da espécie invasora.
A medida catarinense ecoa desafios enfrentados pelo oeste paranaense, onde javalis causam prejuízos anuais de R$ 50 milhões segundo a FAEP. Nossa região opera sob normas mais restritivas desde 2019, quando o IAP passou a exigir termo de controle ambiental para abates. O modelo de pagamento por cabeça diverge da política paranaense, que concentra esforços no Programa Estadual de Manejo através de associações de controladores. Especialistas da Unioeste alertam que incentivos monetários isolados podem comprometer o manejo técnico, como ocorreu em experiências no Rio Grande do Sul. O timing da lei catarinense coincide com a expansão da fronteira agrícola no Planalto Norte, onde javalis avançam sobre áreas de soja e milho. O debate reacende a tensão entre métodos científicos e soluções emergenciais no bioma Mata Atlântica.