Suprema Corte dos EUA permite mapa eleitoral pró-republicano no Alabama
Decisão favorece partido de Trump em eleições de 2026 e enfraquece proteção ao voto negro
A Suprema Corte dos EUA permitiu, por decisão de maioria conservadora, que o Alabama utilize um mapa eleitoral que favorece os republicanos nas eleições de meio de mandato de novembro de 2026. O mapa elimina um dos dois distritos onde eleitores negros, tradicionalmente democratas, são maioria ou quase maioria. A decisão suspendeu uma liminar de um tribunal inferior que havia bloqueado a implementação do mapa, considerado discriminatório contra eleitores negros. Os três ministros liberais da Corte discordaram da decisão. A ação ocorre após uma decisão de abril deste ano que enfraqueceu a Lei de Direitos de Voto de 1965, permitindo que estados liderados por republicanos adotem mapas eleitorais que podem reduzir a representação de minorias. Estados como Tennessee e Louisiana também aproveitaram a decisão para alterar seus mapas eleitorais.
A decisão da Suprema Corte não é apenas técnica — é estratégica. Ao permitir que o Alabama adote um mapa eleitoral claramente pró-republicano, a Corte consolida seu papel como ator-chave na disputa pelo controle do Congresso. O timing não é coincidência: faltam menos de cinco meses para as eleições de meio de mandato, onde democratas tentam recuperar o controle legislativo. O Alabama é apenas o começo: Tennessee e Louisiana já seguiram o mesmo caminho, sugerindo uma estratégia coordenada para diluir o voto negro, tradicionalmente democrata. A Corte, com maioria conservadora desde a era Trump, opera como um braço longo do Partido Republicano, reconfigurando o mapa eleitoral sem precisar de campanhas ou votos. Enquanto a Lei de Direitos de Voto é esvaziada, o que se vê é uma remodelagem silenciosa da democracia estadunidense, onde o voto de minorias é sistematicamente desvalorizado.