Santos x Remo: o teatro da redenção em dois atos
Com Neymar em cena e Remo faminto, Copa do Brasil oferece drama clássico de favo contra colosso
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
O palco da Vila Belmiro recebe neste sábado um desses roteiros que o futebol adora repetir: o gigante acossado (Santos, com seu elenco de R$300 milhões) contra o insurgente faminto (Remo, cujo orçamento anual caberia no salário de quatro Neymares). A peça tem ingredientes shakespearianos - Cuca nos bastidores, o eterno retorno do príncipe Neymar, e um elenco paraense que chega após devorar o Bahia com gol de Pikachu (sim, é nome real).
O mérito do Remo está justamente em transformar seu orçamento modesto em arma psicológica. Enquanto o Santos patina no lugar de sempre - entre o espetáculo prometido e as entregas truncadas -, o time de Léo Condé encarna o que os ingleses chamam de 'underdog with teeth'. Venceram 3 dos últimos 4 jogos jogando como quem sabe que cada bola pode ser um cartão de loteria premiado.
O detalhe cruel? O sistema de transmissão reforça a hierarquia que o jogo tenta subverter: SporTV e Premiere (ambas de custo proibitivo para a torcida média) detêm os direitos. Enquanto isso, nas arquibancadas, 15 mil santistas testemunharão ao vivo se seu time decide enfim encarnar o papel de favorito - ou se permitirá mais um capítulo na longa metragem dos vexames brasileiros.