Suzano lucra com eucalipto enquanto quilombolas lutam por terra
Disputa no Espírito Santo expõe conflito entre monocultura e comunidades tradicionais.
A investigação que a matéria não cobriu. Conexões, contexto histórico, fontes extras.
A síntese editorial. Posição declarada. O que tudo isso significa.
No extremo norte do Espírito Santo, o território conhecido como Sapê do Norte é palco de uma disputa histórica entre comunidades quilombolas e a monocultura de eucalipto liderada pela Suzano, empresa controlada pela família Feffer. As 36 comunidades quilombolas nos municípios de Conceição da Barra e São Mateus enfrentam o impacto ambiental e social causado pela expansão do cultivo, que soterrou nascentes e reduziu a presença quilombola de 12 mil para menos de 2 mil famílias. Luzia Serafim Belmiro, liderança quilombola, relata que a chegada da Aracruz Celulose — incorporada à Suzano — desestruturou a comunidade, aumentou a violência e substituiu a produção de alimentos tradicionais por empregos temporários. A reivindicação central é a titulação definitiva das terras tradicionalmente ocupadas, um desafio frente à expansão industrial dos Feffer, que transformaram uma pequena firma de comércio de papéis em um império bilionário.
A disputa no Sapê do Norte vai além da terra: é uma batalha entre modelos de desenvolvimento. De um lado, as comunidades quilombolas lutam pela sobrevivência cultural e ambiental; do outro, a Suzano, controlada pela família Feffer, expande sua monocultura de eucalipto com eficiência industrial. O que parece uma história local revela um padrão nacional: a concentração de terra e poder nas mãos de poucos. A Suzano, que herdou a Aracruz Celulose, é beneficiária de políticas que favorecem o agronegócio em detrimento dos povos tradicionais. A questão fundiária quilombola esbarra em interesses econômicos poderosos, enquanto a empresa lucra com a exploração de recursos naturais. O timing é estratégico: em um ano eleitoral, a Suzano busca evitar desgastes na imagem, mas a pressão por titulação de terras pode expor contradições no discurso de sustentabilidade que a empresa tenta projetar.